INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS E DESAFIOS NO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA DE COCAÍNA
Abstract
O transtorno por uso de cocaína (TUC) representa um grave desafio de saúde pública global, caracterizado por intensa fissura (craving), padrão compulsivo de consumo e elevadas taxas de recaída, além de frequente comorbidade com transtornos psiquiátricos como o transtorno bipolar. O presente artigo tem como objetivo revisar as estratégias terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas vigentes, bem como discutir os desafios clínicos, neurobiológicos e operacionais no manejo da dependência de cocaína. Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter narrativo realizada na base PubMed, englobando produções recentes sobre o tema e a apresentação de dados clínicos descritivos. Os resultados evidenciam que o manejo de contingências permanece como a intervenção comportamental mais eficaz na indução de abstinência sustentada, sendo fortalecido pela combinação com a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e abordagens de redução de danos. No âmbito farmacológico, não há ainda medicação com aprovação regulatória específica para o TUC, embora estratégias de substituição agonista, moduladores gabaérgicos/glutamatérgicos e o uso de agentes neuroprotetores como a citicolina demonstrem benefícios clínicos em subgrupos específicos. Em perspectiva pré-clínica, agonistas do receptor de GLP-1 e plataformas quimiogenéticas apresentam potencial inovador na modulação dos circuitos de recompensa. Conclui-se que o manejo eficaz do TUC exige um modelo de cuidado integrado, colaborativo e centrado no paciente, combinando intervenções comportamentais consolidadas e suporte multiprofissional contínuo.