O peso invisível da desigualdade: o que acontece no cérebro infantil que alimenta a pandemia da obesidade
Abstract
Introdução: A obesidade infantil constitui uma das patologias multifatoriais crônicas mais complexas da atualidade, operando como um marcador biológico de vulnerabilidades sociais e econômicas acumuladas. Objetivo: Analisar os elos de ligação entre desigualdade socioeconômica, insegurança alimentar e a escalada da obesidade na infância, com ênfase detalhada nos mecanismos neurobiológicos, neuroendócrinos e neuroinflamatórios que perpetuam a doença. Metodologia: Tratou-se de uma revisão sistemática da literatura conduzida nas bases eletrônicas PubMed, SciELO e Google Acadêmico. A amostragem foi refinada qualitativamente mediante a aplicação de critérios rígidos de inclusão voltados para o público pediátrico e adolescente exposto a estressores psicossociais e flutuações de recursos nos últimos dez anos. Resultados e Discussões: Evidenciou-se que o estresse crônico induzido pela pobreza deforma a homeostase hipotalâmica ao hiperativar o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, elevando persistentemente o cortisol circulante e as concentrações de grelina, em detrimento da sinalização periférica de leptina. Adicionalmente, as dietas obesogênicas de baixo custo deflagram um estado neuroinflamatório crônico de baixo grau no sistema mesocorticolímbico, enfraquecendo o controle executivo inibitório pré-frontal e hiperativando os circuitos estriatais de recompensa hedônica. Conclusão: O manejo e a reversão da trajetória ponderal infantojuvenil em cenários de desigualdade pressupõem a superação do paradigma biomédico isolado, demandando a implementação de políticas públicas intersetoriais de proteção social e soberania alimentar.