Associação entre contexto socioeconômico e realização de exames preventivos entre mulheres brasileiras com 50 anos ou mais
Abstract
RESUMO Objetivo: Avaliar a associação entre o contexto socioeconômico e indicadores de uso dos serviços de saúde entre mulheres com 50 anos ou mais, segundo a fonte de atenção (usuárias exclusivas do Sistema Único de Saúde [SUS] versus de plano de saúde). Métodos: Estudo transversal com dados da linha de base do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (2015-2016), com amostra representativa da população com 50 anos ou mais. Foram analisados os seguintes indicadores de uso dos serviços de saúde: realização de mamografia, Papanicolau, dosagem de colesterol e glicemia e aferição da pressão arterial. A condição socioeconômica contextual foi medida pelo Índice Brasileiro de Privação (IBP). Utilizou-se modelo logístico multinível, bruto e ajustado, depois de constatar variabilidade significativa entre setores censitários. Resultados: A amostra incluiu 5.314 mulheres, sendo 54,2% com 60 anos ou mais. Observou-se um gradiente socioeconômico na realização de exames de glicemia e colesterol, com menor probabilidade de realização entre mulheres de áreas de maior privação. Esse padrão persistiu independentemente da fonte de atenção, sendo identificado tanto entre usuárias exclusivas do SUS quanto entre beneficiárias de plano privado (glicemia: odds ratio - OR 0,82, intervalo de confiança de 95% - IC95% 0,69-0,96 e OR 0,91, IC95% 0,87-0,96; colesterol: OR 0,71, IC95% 0,59-0,87 e OR 0,89, IC95% 0,85-0,95, respectivamente). Conclusão: Os resultados revelam iniquidades nas dosagens de glicemia e colesterol por mulheres com 50 anos ou mais, especialmente entre aquelas que dependem do SUS e vivem em áreas de pior contexto socioeconômico. Reforça-se a necessidade de políticas públicas focadas nas mulheres para reduzir as iniquidades presentes na utilização dos serviços de saúde.